BULLY
Para os mais distraídos (e que tenham acesso aos cinemas onde passa, já que isto das recomendações é muito giro, mas quando se mora em Penacova é difícil aceder aos ciclos do cinema King...) está aí o novo filme de Larry Clark. O mesmo que fez o "Ken Park" (de que encontram referência algures nos arquivos do blogue). Como sempre, o realizador deixa-nos atordoado com o vazio que encontramos na cabeça das suas personagens. Vazio e dor. Pressão e ausência dos pais. Asneira certa, a que se segue a impiedosa "Justiça" americana com o seu arsenal de prisões perpétuas em resmas e cadeiras eléctricas para os cidadãos que não conseguiu manter compensados. Uma América tocada a charros e pastilhas, acelerada e simultaneamente à espera. Do seu fim, provavelmente.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
18 de janeiro de 2004
LER NA ESCOLA
Arrisco-me a ficar repetitivo. Mas ao ver aquela professora de português (ainda não fixei o nome) a bater-se pela literatura no ensino, sinto-me na obrigação de voltar à carga.
Já afirmei várias vezes que considero o modelo de escola como insistimos em manter no nosso país como acabado. Não resulta. Já não resulta. A desresponsabilização dos pais e o desaparecimento da figura tutelar, bem como o fluxo de informação fragmentada, conduziu a gerações tão à solta que não se lhes pode pedir que fiquem sentadas a escutar com enlevo. Sobretudo não se pode pedir aos professores que OBRIGUEM esta gente a ouvir, quando o modelo que trazem de casa é outro. Um professor conduz ao conhecimento. Poderia conduzir ao "saber estar", se os programas incidissem prioritariamente sobre o assunto, nos primeiros anos mas não o pode fazer, quando tem de chegar ao final das convulsões novecentistas, fazer-se ouvir por cima dos sinais de mensagens e puxar ao mesmo tempo as criaturas do fundo acnoso onde caíram. Outra escola, virada para o desenvolvimento de competências intrapessoais e interpessoais poderia fazê-lo. Esta, não. Contudo, como ninguém parece estar interessado em mudar as coisas radicalmente, talvez possamos falar sobre os programas actuais.
A professora tem razão: os programas de português foram feitos por pessoas que não gostam de Literatura. Ou, pelo menos, não lhe avistam outra coisa que o lado prático, para transmitir o que diabo é uma metonímia ou outra coisa qualquer com nome de xarope para tosse.
Enquanto escritor, protesto! Não escrevo livros para que gente que não faz ideia do que é viver por umas horas ou dias na pele de uma personagem diferente de nós, me conspurque as frases obtidas a ferros com divisão de orações. Nem mesmo para os que entendem, mas que por razões úteis são forçados a lidar com estes manuais. Merda para as orações sobre as frases feitas para serem "escutadas". Sobre as frases feitas para abrir as portas do mundo. Sobre aquilo que existe para ser partilhado como um prazer. Merda para os determinantes e para as figuras de estilo, para a conjugação verbal e para todas as teorias (ultrapassadas em todo o mundo, excepto no Bangladesh) que tentam impingir às criancinhas. Façam-no sobre o que quiserem, mas sobre a Literatura, não! A Literatura lê-se. Não se impinge como prontuário.
Na verdade, trata-se apenas de uma questão de bom senso. Redigir textos puramente utilitários para explicar o funcionamento da língua não é complicado. Custa mais caro do que "picar" os textos dos escritores (que não vêem um cêntimo dos milhões de euros que engordam as editoras escolares) mas seria mais funcional.
Se os ministérios não estivessem cheios de damas incompetentes e funcionários que subiram a golpes mesquinhos na carreira, dirigidos por políticos que foram para a educação porque não eram suficientemente interessantes para a chegarem à Economia ou às Finanças, onde o poder se joga verdadeiramente, isto seria uma EVIDÊNCIA.
Já para não falar na razão porque continuamos a atormentar gerações inteiras com autores mortos, alguns de discutível qualidade literária, enquanto a noção de contemporaneidade começa em Agustina (que tem 80 ANOS!). Na vizinha Galiza, os livros de escritores recentes são lidos e discutidos, num diálogo vivo com os autores. Aqui não. Tomem lá com o Herculano... e descubram o Sintagma Nominal...
Oh, valha-me Deus...
Arrisco-me a ficar repetitivo. Mas ao ver aquela professora de português (ainda não fixei o nome) a bater-se pela literatura no ensino, sinto-me na obrigação de voltar à carga.
Já afirmei várias vezes que considero o modelo de escola como insistimos em manter no nosso país como acabado. Não resulta. Já não resulta. A desresponsabilização dos pais e o desaparecimento da figura tutelar, bem como o fluxo de informação fragmentada, conduziu a gerações tão à solta que não se lhes pode pedir que fiquem sentadas a escutar com enlevo. Sobretudo não se pode pedir aos professores que OBRIGUEM esta gente a ouvir, quando o modelo que trazem de casa é outro. Um professor conduz ao conhecimento. Poderia conduzir ao "saber estar", se os programas incidissem prioritariamente sobre o assunto, nos primeiros anos mas não o pode fazer, quando tem de chegar ao final das convulsões novecentistas, fazer-se ouvir por cima dos sinais de mensagens e puxar ao mesmo tempo as criaturas do fundo acnoso onde caíram. Outra escola, virada para o desenvolvimento de competências intrapessoais e interpessoais poderia fazê-lo. Esta, não. Contudo, como ninguém parece estar interessado em mudar as coisas radicalmente, talvez possamos falar sobre os programas actuais.
A professora tem razão: os programas de português foram feitos por pessoas que não gostam de Literatura. Ou, pelo menos, não lhe avistam outra coisa que o lado prático, para transmitir o que diabo é uma metonímia ou outra coisa qualquer com nome de xarope para tosse.
Enquanto escritor, protesto! Não escrevo livros para que gente que não faz ideia do que é viver por umas horas ou dias na pele de uma personagem diferente de nós, me conspurque as frases obtidas a ferros com divisão de orações. Nem mesmo para os que entendem, mas que por razões úteis são forçados a lidar com estes manuais. Merda para as orações sobre as frases feitas para serem "escutadas". Sobre as frases feitas para abrir as portas do mundo. Sobre aquilo que existe para ser partilhado como um prazer. Merda para os determinantes e para as figuras de estilo, para a conjugação verbal e para todas as teorias (ultrapassadas em todo o mundo, excepto no Bangladesh) que tentam impingir às criancinhas. Façam-no sobre o que quiserem, mas sobre a Literatura, não! A Literatura lê-se. Não se impinge como prontuário.
Na verdade, trata-se apenas de uma questão de bom senso. Redigir textos puramente utilitários para explicar o funcionamento da língua não é complicado. Custa mais caro do que "picar" os textos dos escritores (que não vêem um cêntimo dos milhões de euros que engordam as editoras escolares) mas seria mais funcional.
Se os ministérios não estivessem cheios de damas incompetentes e funcionários que subiram a golpes mesquinhos na carreira, dirigidos por políticos que foram para a educação porque não eram suficientemente interessantes para a chegarem à Economia ou às Finanças, onde o poder se joga verdadeiramente, isto seria uma EVIDÊNCIA.
Já para não falar na razão porque continuamos a atormentar gerações inteiras com autores mortos, alguns de discutível qualidade literária, enquanto a noção de contemporaneidade começa em Agustina (que tem 80 ANOS!). Na vizinha Galiza, os livros de escritores recentes são lidos e discutidos, num diálogo vivo com os autores. Aqui não. Tomem lá com o Herculano... e descubram o Sintagma Nominal...
Oh, valha-me Deus...
OS ELOGIOS
Toca o telefone no domingo à tarde. O número desconhecido era de um conhecido que se queria manifestar solidário e agradado como o que eu tinha escrito num jornal.
Fiquei à toa, com aqueles mmm, mmmm, de quem não sabe o que responder. O mesmo que aparece quando alguém se levanta da assistência, no fim de uma sessão ou encontro ocasional, para afirmar que lê com agrado o que vou modelando nas minhas histórias...
Vivemos numa sociedade tão estúpida que já nem sabemos lidar com o elogio desinteressado. Aquele que não nos pedirá promoção no emprego, livro recomendado à editora ou uma boa nota no fim do ano.
Talvez seja tempo de começarmos a demonstrar aos outros que achamos haver coisas que eles fazem bem feitas. Digo eu...
Toca o telefone no domingo à tarde. O número desconhecido era de um conhecido que se queria manifestar solidário e agradado como o que eu tinha escrito num jornal.
Fiquei à toa, com aqueles mmm, mmmm, de quem não sabe o que responder. O mesmo que aparece quando alguém se levanta da assistência, no fim de uma sessão ou encontro ocasional, para afirmar que lê com agrado o que vou modelando nas minhas histórias...
Vivemos numa sociedade tão estúpida que já nem sabemos lidar com o elogio desinteressado. Aquele que não nos pedirá promoção no emprego, livro recomendado à editora ou uma boa nota no fim do ano.
Talvez seja tempo de começarmos a demonstrar aos outros que achamos haver coisas que eles fazem bem feitas. Digo eu...
14 de janeiro de 2004
O DN ERROU
Ninguém me pediu para fazer isto, mas gostaria de corrigir uma gralha publicada na edição de hoje do Diário de Notícias. Na notícia referente ao glamoroso sucesso do lançamento do livro de Pedro Santana Lopes e dos seus feitos culturais (a pala do Sporting, o concerto para violinos de Chopin, os agradecimentos ao Machado de Assis, esse grande contemporâneo brasileiro...), cita o referido intelectual da seguinte forma: "«Deve olhar-se para o País como um todo», declarou ainda o autarca".
Naturalmente que o que Santana Lopes disse foi: "Deve olhar-se o país como um TOLO".
Ninguém me pediu para fazer isto, mas gostaria de corrigir uma gralha publicada na edição de hoje do Diário de Notícias. Na notícia referente ao glamoroso sucesso do lançamento do livro de Pedro Santana Lopes e dos seus feitos culturais (a pala do Sporting, o concerto para violinos de Chopin, os agradecimentos ao Machado de Assis, esse grande contemporâneo brasileiro...), cita o referido intelectual da seguinte forma: "«Deve olhar-se para o País como um todo», declarou ainda o autarca".
Naturalmente que o que Santana Lopes disse foi: "Deve olhar-se o país como um TOLO".
“a velhice desce sobre nós
manta de pó
sufocante e húmida
entranha-se
frente à montra
do centro comercial
onde edificámos as vidas
e os ursos
de peluche e as roupas da moda
como não? - da moda, sim -
e os adereços de contas
alegres sombrios
cobrem-se dessas partículas
brancas
que lhes retiram a cintilação
a pouco e pouco
a manta cai sobre nós surpreendida
e estrebuchamos e estrebuchamos para
no Fim
a ajeitarmos a nós fria
e adormecermos
feridos como pássaros abatidos em voo”
jk
manta de pó
sufocante e húmida
entranha-se
frente à montra
do centro comercial
onde edificámos as vidas
e os ursos
de peluche e as roupas da moda
como não? - da moda, sim -
e os adereços de contas
alegres sombrios
cobrem-se dessas partículas
brancas
que lhes retiram a cintilação
a pouco e pouco
a manta cai sobre nós surpreendida
e estrebuchamos e estrebuchamos para
no Fim
a ajeitarmos a nós fria
e adormecermos
feridos como pássaros abatidos em voo”
jk
13 de janeiro de 2004
MISTÉRIOS
Alguém me explica por que é que nos "debates" televisivos sobre a alteração à lei da criminalização do aborto, aparecem sempre mulheres educadas de classe média a pugnar pela mudança e homens de classe média-alta contra?
(este manhã na sic notícias, as produtoras foram cruéis: meteram uma mulher bonita e sensata a defender novo referendo e do lado da oposição um idiota. Repito, não era um homem, era um idiota de gravata púrpura - em sentido restrito, leia-se)...
Era mais ou menos isto... mas com som.
Alguém me explica por que é que nos "debates" televisivos sobre a alteração à lei da criminalização do aborto, aparecem sempre mulheres educadas de classe média a pugnar pela mudança e homens de classe média-alta contra?
(este manhã na sic notícias, as produtoras foram cruéis: meteram uma mulher bonita e sensata a defender novo referendo e do lado da oposição um idiota. Repito, não era um homem, era um idiota de gravata púrpura - em sentido restrito, leia-se)...
Era mais ou menos isto... mas com som.
12 de janeiro de 2004
11 de janeiro de 2004
LITERATURA ESCOLAR
Ao ajudar a prole no tpc de português, encalho num texto da Luisa Dacosta. Coisa misteriosa, cheia de imagens e metáforas tão obscuras que tive de apelar à licenciatura em letras para descodificar. Graça e interesse não tinha nenhuns, mas ele lá estava, no que deveria ser um momento de "prazer de leitura e descoberta". Ponho-me na pele dos miúdos, mesmo dos que têm a sorte de serem sensibilizados em casa para os livros e dá-me vontade de fugir. É espantoso o entendimento que os organizadores de livros escolares têm de "Literatura Infantil". Julgo que será qualquer coisa como "objecto obscuro, porém poético, em que a presença de nuvens, crianças ou bichos inteligentes é obrigatória". Ou seja, não percebem um boi do que é um bom livro infantil. No que não estão sozinhos. Nunca vi um país em que se alimentasse as crianças com tanto lixo poético como este. Falam das "margaridas"? Deveriam ver quantas "margaridas" não foçam no meia de ilustrações frequentemente boas...
ps: Cito o texto dessa autora, mas muitos outros o acompanham. Ou não fosse verdadeiro o ditado sobre o medo da solidão das desgraças...
Ao ajudar a prole no tpc de português, encalho num texto da Luisa Dacosta. Coisa misteriosa, cheia de imagens e metáforas tão obscuras que tive de apelar à licenciatura em letras para descodificar. Graça e interesse não tinha nenhuns, mas ele lá estava, no que deveria ser um momento de "prazer de leitura e descoberta". Ponho-me na pele dos miúdos, mesmo dos que têm a sorte de serem sensibilizados em casa para os livros e dá-me vontade de fugir. É espantoso o entendimento que os organizadores de livros escolares têm de "Literatura Infantil". Julgo que será qualquer coisa como "objecto obscuro, porém poético, em que a presença de nuvens, crianças ou bichos inteligentes é obrigatória". Ou seja, não percebem um boi do que é um bom livro infantil. No que não estão sozinhos. Nunca vi um país em que se alimentasse as crianças com tanto lixo poético como este. Falam das "margaridas"? Deveriam ver quantas "margaridas" não foçam no meia de ilustrações frequentemente boas...
ps: Cito o texto dessa autora, mas muitos outros o acompanham. Ou não fosse verdadeiro o ditado sobre o medo da solidão das desgraças...
SMOKE NOT SMOKE
Aborrece-me dizer isto aos meus amigos que fumam como chaminés, mas um dia destes mesmo no portuguesinho burgo teremos de mudar de comportamento. Não é possível continuar a almoçar em lugares públicos rodeado de famílias, crianças, comida e o fumo de dezenas de cigarros vizinhos. Não é possível continuar a ver passar em carros fechados pais de cigarro na boca, os filhos amarrados (quando estão) no banco de trás e depois ouvi-los protestar contra os perigos da sociedade moderna. Um dia teremos de enfrentar esta coisa tão simples que consiste no facto de uma minoria (30% da população portuguesa, segundo as últimas estatísticas - sendo a maioria mulheres jovens entre os 15 e os 35) forçar a maioria a partilhar da sua depedência. Lamento, mas mesmos os políticos que sabem exactamente o lucro que dão os impostos sobre o tabaco, e o prazer/remédio-anti-stress do mesmo, terão de meter a mão na consciência.
Não se trata de discutir a Coisa. A Coisa é o que é. Houve um tempo para fumar em toda a parte que acabou. Ponto.
Aborrece-me dizer isto aos meus amigos que fumam como chaminés, mas um dia destes mesmo no portuguesinho burgo teremos de mudar de comportamento. Não é possível continuar a almoçar em lugares públicos rodeado de famílias, crianças, comida e o fumo de dezenas de cigarros vizinhos. Não é possível continuar a ver passar em carros fechados pais de cigarro na boca, os filhos amarrados (quando estão) no banco de trás e depois ouvi-los protestar contra os perigos da sociedade moderna. Um dia teremos de enfrentar esta coisa tão simples que consiste no facto de uma minoria (30% da população portuguesa, segundo as últimas estatísticas - sendo a maioria mulheres jovens entre os 15 e os 35) forçar a maioria a partilhar da sua depedência. Lamento, mas mesmos os políticos que sabem exactamente o lucro que dão os impostos sobre o tabaco, e o prazer/remédio-anti-stress do mesmo, terão de meter a mão na consciência.
Não se trata de discutir a Coisa. A Coisa é o que é. Houve um tempo para fumar em toda a parte que acabou. Ponto.
8 de janeiro de 2004
CRÓNICA DOS DIAS QUE PASSAM
Bastaria olhar para um dos nossos dias para compreender o sentido da vida. As horas boas, as más. A alegria simples e a tristeza inesperada. O contentamento da descoberta e a frustração da perda. A irritação contra as pequenas coisas e a piedade universal pelas coisas do mundo.
Se isto não fala connosco então é porque andamos com os olhos colados às biqueiras dos sapatos.
Bastaria olhar para um dos nossos dias para compreender o sentido da vida. As horas boas, as más. A alegria simples e a tristeza inesperada. O contentamento da descoberta e a frustração da perda. A irritação contra as pequenas coisas e a piedade universal pelas coisas do mundo.
Se isto não fala connosco então é porque andamos com os olhos colados às biqueiras dos sapatos.
7 de janeiro de 2004
LISBOA COM NUVENS
Hoje andava quase tudo maldisposto na cidade. Nos restaurantes os criados atiravam com as ementas para cima das mesas, nas lojas as velhas donas berravam que não queriam os .60 ct (de facilitação de trocos) para nada, e na paragem dos autocarros os utentes davam razão ao desconsolado sindicalista que ontem se queixava que "os passageiros estão a sofrer uma campanha de desinformação sobre a greve", daí andarem chateados como o facto de quase todos os dias haver uma.
Deve ser do tempo. Espero que no resto do país e do mundo (gentil aceno aos leitores ultramarinos e intercontinentais) as coisas tenham sido mais agradáveis.
ps: Irra! (desabafo, um pouco tardio, nem por isso menos sincero).
Hoje andava quase tudo maldisposto na cidade. Nos restaurantes os criados atiravam com as ementas para cima das mesas, nas lojas as velhas donas berravam que não queriam os .60 ct (de facilitação de trocos) para nada, e na paragem dos autocarros os utentes davam razão ao desconsolado sindicalista que ontem se queixava que "os passageiros estão a sofrer uma campanha de desinformação sobre a greve", daí andarem chateados como o facto de quase todos os dias haver uma.
Deve ser do tempo. Espero que no resto do país e do mundo (gentil aceno aos leitores ultramarinos e intercontinentais) as coisas tenham sido mais agradáveis.
ps: Irra! (desabafo, um pouco tardio, nem por isso menos sincero).
BOMBEIRADAS
Já tenho falado sobre o Centro Em Movimento. CEM, para os amigos, que são muitos. Já escrevi sobre este centro, em vários sítios. Para os que moram mais longe, ou têm andado distraídos nos últimos anos, informo que é uma Escola ao Contrário. Isto é, não se vai lá contrariado empinar coisas que não queremos. Vamos lá aprender (ou ensinar) o que nos apetece. E quase não se cobra por isso. E assim tem sido.
No 4º andar do prédio dos Bombeiros da Praça da Alegria, todo o dia e parte da noite, uma multidão que se reveza, dança, escreve, faz teatro. Em condições pobres como um circo. E ainda assim teima. E ainda assim todos os cursos estão cheios. Alguma razão haverá.
Ultimamente a bombeirada, que alugava a salinha de caca por uma fortuna (que imagino servirá para estourar nos eternos carapaus fritos com que empestam o prédio toda a semana, ou para comprarem mais cadeiras onde sentam os cus suficentemente ociosos, mudou de ideias. Querem a salinha de volta. Precisam de mais um espacito. Sabe Deus para quê e quanto custará ao erário público esse acréscimo de dolce fare niente...
E mais não digo, ou passará a ideia que eu acho as corporações de bombeiros portuguesas como grupos que se encontram em tascas decoradas a vermelho e com machadinhas, onde eles fogem à tagarelice das esposas. O que não é 100% verdade. No máximo, uns 90%.
Adiante. O que interessa é que a escola anda à procura de um novo espaço. Como as instituições públicas se estão a cagar para pessoas que manifestamente desprezam o lucro ou o pedinchar servil, lanço o apelo. Se souberem de algum espaço em Lisboa que possa receber este grupo de gente valorosa, não guardem segredo. Eles estão aqui. E nós estamos com eles.
Já tenho falado sobre o Centro Em Movimento. CEM, para os amigos, que são muitos. Já escrevi sobre este centro, em vários sítios. Para os que moram mais longe, ou têm andado distraídos nos últimos anos, informo que é uma Escola ao Contrário. Isto é, não se vai lá contrariado empinar coisas que não queremos. Vamos lá aprender (ou ensinar) o que nos apetece. E quase não se cobra por isso. E assim tem sido.
No 4º andar do prédio dos Bombeiros da Praça da Alegria, todo o dia e parte da noite, uma multidão que se reveza, dança, escreve, faz teatro. Em condições pobres como um circo. E ainda assim teima. E ainda assim todos os cursos estão cheios. Alguma razão haverá.
Ultimamente a bombeirada, que alugava a salinha de caca por uma fortuna (que imagino servirá para estourar nos eternos carapaus fritos com que empestam o prédio toda a semana, ou para comprarem mais cadeiras onde sentam os cus suficentemente ociosos, mudou de ideias. Querem a salinha de volta. Precisam de mais um espacito. Sabe Deus para quê e quanto custará ao erário público esse acréscimo de dolce fare niente...
E mais não digo, ou passará a ideia que eu acho as corporações de bombeiros portuguesas como grupos que se encontram em tascas decoradas a vermelho e com machadinhas, onde eles fogem à tagarelice das esposas. O que não é 100% verdade. No máximo, uns 90%.
Adiante. O que interessa é que a escola anda à procura de um novo espaço. Como as instituições públicas se estão a cagar para pessoas que manifestamente desprezam o lucro ou o pedinchar servil, lanço o apelo. Se souberem de algum espaço em Lisboa que possa receber este grupo de gente valorosa, não guardem segredo. Eles estão aqui. E nós estamos com eles.
5 de janeiro de 2004
CASTELO RODRIGO
Já o disse várias vezes: Portugal só poderá crescer de dentro para fora. D. Sebastião nunca mais vai voltar, por isso já era tempo de crescermos e começarmos a fazer em vez de lamentar.
Das Beiras, mais precisamente de Castelo Rodrigo, chega-me o convite e a notícia de um projecto ficcional. Algo que se pretende alargado e ao mesmo tempo sem soltar os pés do solo que lhe deu começo. Um abraço e votos de felicidades para os promotores do Cantinho. Sabendo que um canto é por definição, o Universo às avessas ;)
Já o disse várias vezes: Portugal só poderá crescer de dentro para fora. D. Sebastião nunca mais vai voltar, por isso já era tempo de crescermos e começarmos a fazer em vez de lamentar.
Das Beiras, mais precisamente de Castelo Rodrigo, chega-me o convite e a notícia de um projecto ficcional. Algo que se pretende alargado e ao mesmo tempo sem soltar os pés do solo que lhe deu começo. Um abraço e votos de felicidades para os promotores do Cantinho. Sabendo que um canto é por definição, o Universo às avessas ;)
DIZER BEM E MAL
Somos um país tão pequenino, tão pequenino, que nos assemelhamos muitas vezes a concorrentes do BB: 4 paredes, 10 milhões de moradores e milhares de câmaras. Daí que haja esta tendência para dizer primeiro as coisas que nos irritam nos outros. E só depois, eventualmente, enumerar as qualidades e confessar que temos muitas saudades sempre que "saímos da casa" (ou, como diria o Nando, vencedor de Corroios, "É assim, prontoz!").
Foi por isso que não mencionei antes o filme de Jim Sheridan, "In America". O trailer prometia uma obra brilhante e intimista. Quase que conseguia o segundo objectivo. Não fosse a objectiva ter-se deslumbrado com os postais de NY ou o guião pedir ao actor principal (Paddy Considine) que representasse algumas cenas para as quais - obviamente - não tinha arcaboiço e teria sido diferente. Ainda assim, arranca bem e tem algumas cenas com interesse.
ps: Por falar em arrancar, amanhã começa a "2" (estou ansioso pela novidade das entrevistas da Margarida M. de Melo...). Referi aqui que o magazine se chamaria "Index". Foi este o nome divulgado até há pouco tempo. Mas parece que se chamará... "Magazine". Seja lá o que for... Que venha melhor que o antecessor, é o que se pede. Ponto.
Somos um país tão pequenino, tão pequenino, que nos assemelhamos muitas vezes a concorrentes do BB: 4 paredes, 10 milhões de moradores e milhares de câmaras. Daí que haja esta tendência para dizer primeiro as coisas que nos irritam nos outros. E só depois, eventualmente, enumerar as qualidades e confessar que temos muitas saudades sempre que "saímos da casa" (ou, como diria o Nando, vencedor de Corroios, "É assim, prontoz!").
Foi por isso que não mencionei antes o filme de Jim Sheridan, "In America". O trailer prometia uma obra brilhante e intimista. Quase que conseguia o segundo objectivo. Não fosse a objectiva ter-se deslumbrado com os postais de NY ou o guião pedir ao actor principal (Paddy Considine) que representasse algumas cenas para as quais - obviamente - não tinha arcaboiço e teria sido diferente. Ainda assim, arranca bem e tem algumas cenas com interesse.
ps: Por falar em arrancar, amanhã começa a "2" (estou ansioso pela novidade das entrevistas da Margarida M. de Melo...). Referi aqui que o magazine se chamaria "Index". Foi este o nome divulgado até há pouco tempo. Mas parece que se chamará... "Magazine". Seja lá o que for... Que venha melhor que o antecessor, é o que se pede. Ponto.
3 de janeiro de 2004
E POR FALAR NO NOSSO SEMANÁRIO...
Uma das minhas páginas favoritas do suplemento "Actual" é a crónica de Pedro D'Anunciação. Há qualquer coisa que me vicia nesta proposta de comentário televisivo. Hesito entre as garbosas suíças e o apostrophe do "D' "...
Na sua prosa queirosiano-prosaica, deambula esta semana entre o tema "Sociedade Civil" (onde fala do "Dois") e a questão do Aborto. De salientar o momento de elogio ao programa da NTV (onde se prova que sou eu que tenho a televisão avariada, já que - ligue para lá a que horas ligar - levo com os inteligentes e nada arrogantes meninos do XPTO...) "Livro Aberto" da autoria de JOSÉ MANUEL Viegas.
Numa página chamada "zapping", percebe-se. Mudar de canais constantemente só nos pode deixar confusos...
Uma das minhas páginas favoritas do suplemento "Actual" é a crónica de Pedro D'Anunciação. Há qualquer coisa que me vicia nesta proposta de comentário televisivo. Hesito entre as garbosas suíças e o apostrophe do "D' "...
Na sua prosa queirosiano-prosaica, deambula esta semana entre o tema "Sociedade Civil" (onde fala do "Dois") e a questão do Aborto. De salientar o momento de elogio ao programa da NTV (onde se prova que sou eu que tenho a televisão avariada, já que - ligue para lá a que horas ligar - levo com os inteligentes e nada arrogantes meninos do XPTO...) "Livro Aberto" da autoria de JOSÉ MANUEL Viegas.
Numa página chamada "zapping", percebe-se. Mudar de canais constantemente só nos pode deixar confusos...
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